Há muita saudade pendurada no calendário da parede.
As marcas dos dias que se foram nas folhas soltas do passado,
amontoando décadas,
que ainda continuam presentes na memória
e na sensibilidade de casa um de nós.
Quantos Janeiros e outros tantos Dezembros!
Saudade de um momento jovem,
dos primeiros sonhos adultos povoando a imaginação
e alimentando esperanças róseas.
Como eram eternos os meses,
como eram longas as semanas,
como demoravam os domingos...
Como era insopitável o desejo de te ver!
Sentir o teu olhar cheio de ternura,
o teu sorriso brejeiro, juvenil e o teu rosto alegre de menina.
A glória de um amor quase platônico,
mãos inocentes se tocando, lábios castos se beijando...
Tal Julieta, tal Romeu, sempre eternos.
Eu tinha, então, dezesseis anos!
Décio Silva Barros
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