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Aguardando Em Silêncio

Pode você sentir o que eu sinto?
Pode você notar o que eu quero?
Pois eu te quero muito e torço para que você me queira também.
Note em meu olhar, perceba em meus gestos, sinta mais de perto o meu calor.
Pois eu ainda aguardo em silêncio que você esteja perto de mim.
Não sei se quando este momento chegar terei coragem de te encarar de frente a frente e dizer isso da maneira que estou dizendo, pois ficar em silêncio escondido por trás dessas palavras escritas é mais fácil para uma pessoa tímida como eu.
Por isso te espero em meu canto, em silêncio, aguardando e sonhando em estar com você desfrutando todo esse amor.

Caminhos Diferentes

Não era bem assim que eu imaginava estar,
Andei por tantos lugares e
nunca consegui chegar.

Tentei caminhos diferentes,
atravessei ruas escuras...
Nunca tive uma luz para me guiar.

Já estive no céu,
Já peguei na terra,
Já senti o mar...

Não era bem assim que
eu imaginava estar.
Mas vou continuar tentando,
pois minha vontade é grande e
ainda tenho muito amor para dar.

Confronto

Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar- pediu- sou teu irmão
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão."

A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas entarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

E exclama: "Entra correndo, o pouco é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."


Carlos Drummond De Andrade

Quem sou eu?


Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é a nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: Você daí e eu daqui.

Eu sou outono, disparo. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.

Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marília Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Homby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.

Sou pães, queihos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.

Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.

Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.

Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.

Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.

Agora é sua vez.


Martha Medeiros

Onde

Aos encantos que se perdem.
Quando tanto há por se fazer,
Nas premicias do destino
Nem tudo se leva, nem tudo se pode ter.
Por onde for, onde é que está?
Se está perdido o que fazer para encontrar?

É muito provável que tenhamos feito essa pergunta um milhão de vezes.
E a cada resposta que recebemos nos perdemos em mais dúvidas.

Nos espreitamos por entre as frestas das portas e janelas que nós mesmos fechamos.

Por onde for, onde é que está?
Se em meu caminho o seu pode se cruzar.

Se onde quer que seja, muitas voltas vamos dar
Onde é que está, se eu não sei, para onde vamos e se lá chegamos?

Metades

Lua cheia... o reflexo de sua luz na água...
A canção... a poesia
As minhas metades... e as suas...

Somos sempre duas metades,
Porque a vida é feita de escolhas...

Somos o sim e o não,
Ainda que haja o talvez.

Somos o amor e a razão,
Embora exista a loucura.

Somos o antes e o agora,
Ainda que estejamos sempre à espera do depois.

Somos lua, escuridão,
Simplesmente porque uma não pode existir sem a outra

Somos corpo e espírito,
Embora a essência esteja na alma.

Somos medo e coragem,
Porque dentro de nós grita o desejo.

Somos vida e morte,
Porque dentro de nós grita o desejo.

Somos vida e morte,
Mesmo que acreditemos na existência de apenas uma de cada vez.

Somos som e silêncio,
Ainda que nossas vozes independam deles.

Somos um constante ir e vir,
Porque ainda que estejamos aqui,
Estamos também em outros lugares.

Somos dúvida e certeza,
Simplesmente porque ambas são idênticas.

Somos ilusão e realidade,
E na busca de nossas metades,

Pouco nos adianta saber, apenas sentir!
Porque saber nada significa quando percebemos
Que as nossas metades são igualmente sagradas...
... e ambas se entregam à inexplicável magia da vida...


Poesia do livro Alma Gêmea