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Trechos do livro "O Pequeno Príncipe"

"Tu julgarás a ti mesmo. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."

" É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."

"Os homens do teu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram...
E, no entanto, o que eles procuram poderia ser encontrado numa só rosa, ou num pouco de água...
Mas os olhos são cegos. É preciso ver com o coração..."


por Antoine De Saint- Exupéry

Eu não quero o seu namorado. E você, quer?

"Você já deve ter cruzado com ela - a pseudo-ciumenta-possessiva-escandalosa. É aquela gata que agarra, aperta, beija e abraça o namorado na frente de outras mulheres como que dizendo - em Caps Lock - 'ELE É MEU'!. Como se o cara fosse um prêmio. Se estivesse em um pódio de Fórmula 1, era capaz de ela confundir o homem-troféu com um espumante e chacoalhar o namorado na sua direção. Porque o alvo, na verdade, é você. É para você que ela está fazendo aquela cena, é para você que ela está dizendo que o namorado é dela. Para você, que nem teria notado o cara se não fosse pelo escândalo que ela fez.
Só que agora a situação já está armada. Seus olhos - e isso sempre acontece quando nós NÃO queremos olhar para algum lugar - vira e mexe recaem sobre o casal. O que só acaba reforçando o contorcionismo da gata para cima do namorado. Parece uma atração macabra.

Mas afinal, para quê serve toda essa cena?

A explicação é simples, embora não muito óbvia: assim como você, ela também não está nem aí para o namorado dela. Por isso tanto desespero para tentar valorizar o cara. Quem sabe, criando um circo em volta dele, ela mesma não comece a achar um pouco de graça no palhaço.
E aí você passa a ser a periguete que quer roubar o tão desejável namorado. E é capaz até que ela veja você se insinuar para ele - porque, acredite, ela 'vê' coisas...
Em uma situação como essa, o melhor é fazer a fina. Ignorar. Você é uma vítima ocasional (talvez a solteira do momento) que estava no lugar certo na hora errada ou vice-versa. Mesmo que o casal circense seja parte de um grupo de conhecidos - aquela típica situação 'amigos de amigos' -, faça cara de paisagem. A escandalosa vai se acalmar ou procurar outra vítima. E você nem vai precisar fingir que o problema não é seu. Porque não é.

por Isabela Mena

Amadurecimento

"Aprenda a gostar de você.
A cuidar de você e principalmente a gostar de quem também gosta de você...
A idade vai chegando e com o passar do tempo nossas prioridades na vida vão mudando...
A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar.
Mas uma coisa parece estar sempre presente...
A busca pela felicidade com o amor da sua vida.
Desde pequenos ficamos nos perguntando: "Quando será que vai chegar?"
E a cada nova paquera, vez ou outra, nos pegamos na dúvida: "Será que é ele?"
Como dizia meu pai:" Nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era.
Cada namorado era o novo homem da sua vida.
Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente... plaft!
Com um passe de mágica, ele desaparecia fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo".
Você percebe que cair na guerra, quando se termina um namoro, é muito natural, mas que já não dura mais de três meses...
Agora você procura por alguém que cuide de você quando está doente.
Que não reclame em trocar aquele churrasco dos  amigos pelo aniversário da sua avó.
Que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria da felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo.
A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes.
A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa que seja realmente legal.
Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta...
E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boites na quinta-feira.
Mas o melhor dessa parte é se divertir com os amigos.
Rir até doer a barriga
Fazer aqueles passarinhos bregas de antigamente, curtir o som.
Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora,
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa você precisa em primeiro lugar: não precisar dela.
Percebe também que aquele cara que você ama ou acha que ama, e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.
Você aprende a gostar de você.
A cuidar de você.
E principalmente a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você."

Mário Quintana

Campanha pela proibição da maçã

"Amiga que chega em casa e cai na tentação do lanche engordativo, estas palavras são pra você. São 2 da madrugada de uma quarta, voltei da balada e bati dois queijos quentes com coca-cola normal. Enquanto comia, eu me peguei pensando: como Adão e Eva foram trouxas!
Como consegui migrar de uma balada na paulistana e pecadora Rua Augusta para o livro bíblico do Gênesis?
Pensemos: comida gordurosa é um dos grandes prazeres da vida. Compare a uma dieta rica de maçãs. Sacou? Agora se lembre de que Adão e Evão moravam em um lugar que não à toa se chamava PARAÍSO. Aí, do nada, aparece uma serpente, oferece uma maçã... E eles caem. É como estar na área vip de uma festa, com uísque 25 anos de graça, e trocar por, sei lá, catuaba selvagem. (Coisa que já fiz e não recomendo, viu?)
Maçã? A mais sem graça das frutas que poderiam sair da criativa mente do Todo-Poderoso! Nem bicho tem, como a goiaba. Não presta para suco, como a laranja, nem para mousse, como o maracujá. Mal serve para maçã do amor, que gruda no dente por uma semana (se a pessoa usa aparelho, dois meses!).
O.k., Adão e Eva queriam a maçã simplesmente porque era proibido. Ou seja: a gente sempre quer o que não pode cobiçar. Várias amigas minhas praticam isso com o namorado alheio, mas vamos voltar ao foco da coisa.
Se a gente gosta do que é proibido, começo aqui a campanha: querido Deus, proíba maçã, alface, agrião... Enfim, tudo o que emagrece. Quem sabe assim a gente termina o pós-balada felizão com um prato de salada. Amém."

Por Alvaro Leme

Uma Mulher Entre Parênteses

"Era como ela catalogava as pessoas: através dos sinais de pontuação. Irritava-se com as amigas que terminavam as frases com reticências... Eram mulheres que nunca definiam suas opiniões, que davam a entender que poderiam mudar de ideia dali a cinco segundos e que abusavam da melancolia. Por outro lado, tampouco se sentia à vontade com as mulheres em estado constante de exclamação. Extra, extra!! Tudo nelas causava impacto! Consideravam-se mais importantes que as outras. Ela não. Ela era mais discreta. A mais discreta de todas.

Também não era do tipo mulher dois pontos: aquela que está sempre prestes a dizer uma verdade inquestionável e que merece destaque. E tampouco era daquelas perguntadeiras xaropes que não acreditam no que ouvem, não acreditam no que veem e estão sempre querendo conferir se os outros têm as mesmas dúvidas: será, será, será? Ela tinha suas interrogações, claro, mas não as expunha.

Era uma mulher entre parênteses.

Fazia parte do universo, mas vivia isolada em seus próprios pensamentos e emoções.

Era como se ela fosse um susssurro, um segredo. Como uma amante que não pode ser exibida à luz do dia. Ás vezes, sentia um certo incômodo com a situação, parecia que estava sendo discriminada, que não deveria interagir com o restante das pessoas por possuir algum vírus contagioso. Outras vezes, avaliava sua situação com olhos mais românticos e concluía que tudo não passava de proteção. Ela era tão especial que seria uma temeridade misturar-se com mulheres óbvias e transparentes em excesso. A mulher entre parênteses tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação. Ela havia sido adestrada para falar para dentro, apenas consigo mesma.

Tudo muito elegante.

Aos poucos, no entanto, ela passou a perceber que viver entre parênteses começava a sufocá-la. Ela mantinha suas verdades (e suas fantasias) numa redoma, e isso a livraria de uma existência vulgar, mas que graça tinha? Resolveu um dia comentar sobre o assunto com o marido, que achou muito estranho ela reivindicar mais liberdade de expressão. Ora, manter-se entre parênteses era um charmoso confinamento. "Minha linda, você é uma mulher que guarda a sua alma."

Um dia, ela acordou e descobriu que não queria mais guardar a sua alma. Não queria mais ser um esclarecimento oculto. Ela queria fazer parte da confusão.

'Mas, minha linda...'

E não quis mais, também, aquele homem entre aspas."


Martha Medeiros

Paciência

"Procurei o que nunca existiu e deixei pra trás coisas que me marcaram com o tempo.
Muito mais do que persistir é tentar guardar coisas que se foram com o vento.
E o tempo nos transforma nos deixando o que não seremos jamais as marcas deixadas num momento.
Sinto que já foi o tempo de dar voltas e mais voltas sem um caminho certo por passar.
A cada palavra dita, a cada gesto dado, a cada suspiro contido, a casa sonho acabado.
Se nosso destino já está traçado, de que importa o que está  acontecendo.
Seremos partes de um nada, mais ainda estaremos aprendendo."

Sinfônia

"Estamos num tempo transitório.
Como no vazio, do rastro de uma passeata.
Um tempo aberto pelo canto de uma sinfônia melancólica.
É um tempo difícil que se traduz por soluções algébricas de física quântica.
Mas é um tempo que me apetece nesta biafra.
É um tempo em que eu sinto algo, algo forte, que é senão uma chuva atômica de sentimentos.
Sentimentos que me colocam bem junto de você."